Ghonim, após a libertação: "Não sou um heroi, dormi durante 12 dias. Os herois são os que estavam nas ruas"
Na entrevista, divulgada na noite de segunda-feira, Wael Ghonim, chefe de marketing do Google no Oriente Médio e na África, confirmou ser o administrador da página "Todos somos Khaled Said", criada no Facebook. O grupo, junto com o Movimento 6 de abril, participou do lançamento da onda de protestos contra o presidente, que começaram em 25 de janeiro.
"Tive os olhos vendados durante 12 dias, eu não escutava nada, não sabia de nada", contou, indicando ter sido preso no dia 27 de janeiro e passado os dias seguintes em poder dos temidos serviços de segurança egípcios. "Não sou um heroi, dormi durante 12 dias. Os herois são os que estavam nas ruas, os que participaram das manifestações (...)", disse, visivelmente emocionado.
A Anistia Internacional havia pedido sua libertação, e disse temer que Ghonim fosse torturado, mas o jovem garantiu que isso não aconteceu.
Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.
A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo.
O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos. Manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. Nos dias subsequentes os conflitos cessaram e, após um período de terror para os jornalistas, uma manifestação que reuniu milhares na praça Tahrir e impasses entre o governo e oposição, a Irmandade Muçulmana começou a dialogar com o governo. Enquanto isso, começaram a aparecer sinais de que Mubarak deve permanecer no cargo durante o processo de transição.

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