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Ana e Mia - a nova moda entre internautas adolescentes


Os novos fenômenos da internet são as comunidades e blogs dedicados à Ana e a Mia. Ao contrário do que se pensa, não se trata de pessoas, mas de siglas utilizadas para debater, trocar informações ou até exaltar a anorexia e a bulimia - transtornos alimentares que atingem, na grande maioria das vezes, adolescentes e jovens adultas das classes A e B.

Cerca de 1,7 milhão de pessoas no mundo sofre desses dois transtornos que, normalmente, vêm juntos. "São dois sintomas do mesmo problema psicológico", aponta a psicóloga, especialista em transtornos alimentares, Luciana Saddi. Segundo ela, quem sofre das doenças tem ataques compulsivos e passa a comer enormes quantidades. Em seguida, o doente se sente culpado e vomita ou usa laxante para se livrar do que comeu. "Toda privação é seguida de uma compulsão", afirma.

A "Ana" consiste em diminuir muito a quantidade de alimentos ingeridos ou até, em casos mais graves, parar de comer por dias. Para a estudante, AcZ (pseudônimo), de 18 anos, que sofre dos dois transtornos, a anorexia "trabalha" com metas. "Por exemplo: se digo quero emagrecer cinco quilos, que vou passar o dia à base de uma bolacha de água e sal e que vou fazer três horas de exercício, eu faço", explica. Ela ainda esclarece que, quando as metas são atingidas, elas deixam de ser suficientes e novas metas são estabelecidas.

Em julho de 1990, a então correspondente do jornal O Globo na Argentina, Cristina Veiga, publicou uma das primeiras matérias sobre o assunto na mídia brasileira. Na época, 27% das jovens argentinas sofriam do transtorno e já existiam centros médicos e hospitais especializados no tratamento dos transtornos alimentares. No Brasil, existem poucos centros de tratamento especializados, mas o tema passou a ser discutido na Telenovela da Rede Globo, "Páginas da Vida".

É cada vez mais comum observar que os jovens que sofrem dos transtornos buscam amparo em espaços alternativos onde, preferencialmente, podem manter o anonimato. Hoje, existem cerca de 60 comunidades dedicadas ao assunto no site de relacionamentos Orkut e 160 mil ocorrências no Google com as palavras "blogs", Ana e Mia. "É uma forma de discutir o que está acontecendo conosco e buscar apoio", aponta Fernando (nome fictício), de 16 anos, estudante que não vê a anorexia como um transtorno e "sim como uma amiga que me ajuda a emagrecer".

As comunidades podem ser divididas em dois grandes grupos. Um funcionando como fórum de discussões sobre o tema, freqüentado por pessoas em tratamento ou que estão buscando tratamento. Outro voltado para os que acreditam que "a anorexia (ou a bulimia) não é uma doença e sim um estilo de vida", frase freqüentemente colocada nos blogs e páginas pessoais dedicadas ao assunto.

Para Saddi, essa afirmação é comum entre os pacientes que se sentem como se fossem heróis, conseguindo ficar dias sem comer ou emagrecer tantos quilos quanto propõe. "Mas, é um falso heroísmo pois, no fundo, elas estão tentando ser autônomas num processo destrutivo de si mesmas", explica. Para AcZ, a fome preenche seus outros vazios e dores. "Me olhar no espelho e ver meus ossos surgindo me dá uma felicidade absurda", diz a jovem.

O aumento das propagandas com mulheres esguias indica a compreensão da sociedade atual de que a felicidade está diretamente ligada ao peso. Para Saddi, a sociedade tem medo de gordura, está condenada à idéia do consumo pré-determinado de calorias e da gigantesca oferta de produtos dietéticos. "Há um mal estar para quem não é magro", aponta. Nos blogs, modelos como Kate Moss - que quase faleceu de anorexia- são apontadas como ícones de beleza e força, pois conseguiram o sucesso, a fama e a riqueza graças aos seus corpos magérrimos.

"Nossa sociedade desaprendeu a comer. Não comemos mais o quê, porque ou quando sentimos vontade e contamos minuciosamente as calorias dos nossos pratos. Perdemos o hábito e o ritual de nos alimentarmos", explica Saddi que vê o aumento dos transtornos alimentares como conseqüência também dessas mudanças sociais. Entretanto, para ela, as meninas anoréxicas, normalmente têm outras fontes que fazem a doença aparecer. "São filhas de mães muito controladoras que têm um projeto muito específico para elas" e que não conseguiram permitir que se tornassem pessoas completas.

As chamadas Ana e Mia, presentes nas vidas de vários internautas adolescentes trazem conseqüências graves para a saúde, levando a sérias lesões do sistema digestivo e à morte se não forem tratadas a tempo. "Meus dentes estão lascando e meu estômago dói o tempo todo", explica Madelyne (pseudônimo), de 19 anos, que sofre dos dois transtornos. "É só quando se vive nesse inferno que se percebe a burrice que se fez ao começá-lo", reconhece ela.


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